14 de novembro de 2017

improviso sobre a saudade




Nem sempre a saudade se perspectiva nos parâmetros que sustentam a memória. Há, naturalmente, um propósito mais recomendável quando, através dela, se trata de entender o que está a montante da linguagem dos relógios, ainda que, com isso, não seja de subestimar a inquietação do olhar. Dos sentidos.

Hoje, mãe, ao considerá-la, é este novo caminho que me importa. Não tanto pelo facto de ter sempre como referência a muito frágil transparência do teu sorriso que se recorta no horizonte entre as areias e o crepúsculo, mas aquilo que verdadeiramente ele traduz: o reflexo da beleza ou, para melhor dizer, a lucidez da ternura.

Porque as palavras deixaram de ser necessárias!...

Aqui, onde o mar e o infinito se conjugam numa harmonia pacífica, é em ti que o meu pensamento se debruça. A tristeza, essa - quando chega - mais não é do que a consequência deste silêncio que nos rodeia.