14 de setembro de 2017

o ofício das palavras




Nem sempre as palavras se deixam manipular como o barro trabalhado pelas hábeis mãos de um oleiro. Não são dúcteis nem submissas. Argutas, isso sim, optam por surpreender quem nelas se projecta.

Resistem quase sempre à tentativa de lhes condicionar o acesso à lucidez das imagens que, muitas vezes, se tornam reféns do equívoco esboço de um sorriso. Não obstante, é necessário trabalhá-las com rigor, sem recuar perante a resistência das arestas. Importa privilegiar a humildade em vez da arrogância.

Ocasionalmente, mãe, não deixo de me sentir lisonjeado com os sinais que me sugerem uma preferência fugaz. Depressa, porém, me vejo forçado a permanecer atento aos seus caprichos, porque elas - as palavras - são imunes às manobras que resultam de uma satisfação prematura. Infundada.