13 de agosto de 2017

um certo sorriso





Nestes dias em que vagueio pelo silêncio e pelo desconhecido, quando a saudade vai correndo as persianas sobre o meu próprio desencanto, são os pássaros que convocam as palavras onde os sonhos se reflectem.

Daquele tempo em que - ainda adolescente - aprendi a reconhecer-me na transparência de cada sorriso, recupero os segredos que me povoam a memória, enquanto nos meus olhos mergulha a lucidez de um quotidiano que se espraia pela orla do vazio.

Este que agora se completa, tem sido um tempo de surpreendente aprendizagem. Quase nada sugeria a aliança entre o espanto e a inflexão da alegria. A ternura, mãe, não basta para que a beleza - se alguma ainda restar!... - se materialize na transição para o crepúsculo, mas quando a noite cai sobre os relógios, é a brisa que reencontro no perfil da madrugada.



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