12 de agosto de 2017

frente - a - frente




Escrevo porque preciso de me entender. Creio que, desde muito novo, se gravou no meu subconsciente a noção de que não reunia os parâmetros que são comuns à humanidade. A principiar pela sociabilidade. Pela falta dela!...

Não tinha, então, esta perspectiva que se tornou evidente à medida que os círculos se acumulavam nos relógios. Era muito marcada a minha diferença, mas não me sentia marginalizado ou diminuído perante os outros. Ainda jovem, talvez em resultado do que, vulgarmente, se caracteriza como inocência, possuía uma surpreendente capacidade de tornear os obstáculos, por muito complexos que se me apresentassem.

Principiei a ler muito cedo - se calhar demasiado cedo - e, como bem sabes, mãe, fui construindo o meu mundo sobre alicerces de uma exigência superlativa. Pouco a pouco, fui-me dando conta de uma realidade em que não cabiam os ideais de que me alimentava ao folhear das páginas dos livros a que tinha acesso. A perfeição começava a germinar e a solidão depressa se anunciou.

Não tardou muito até, de uma forma espontânea, sentir necessidade de procurar as minhas próprias palavras, a fim de não me reduzir ao universo em que me refugiara. Por muito estimáveis que fossem os ensinamentos que recolhera. E foram-no!...

Um lápis e umas quantas folhas de papel, como já dei a entender, eram o meu único suporte face ao que sucedia no meu estranho dia-a-dia. A escrita acabou por se tornar numa projecção de mim mesmo, uma vez que, já então, me parecia desprovida de nexo a hipótese de comunicar com os outros. Seja como for, não tenho mensagens a transmitir e as minhas opiniões não reflectem, bem entendido, aquele espírito de universalidade intemporal tão comum aos grandes autores.

A tecnologia e o seu desenvolvimento foram, ao início, uma quase brincadeira. Um blogue, mais tarde, não me pareceu suficientemente apelativo, até ter descoberto um potencial mais vasto, capaz de conjugar a música com as palavras e, de certo modo, com a explicação do silêncio.

Será isto suficiente para que o entusiasmo se mantenha? Não sei!...



2 comentários:

  1. Espero que seja. É sempre tão inspirador.

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    1. A vontade é prosseguir, mas às tantas, Miguel, a rotina pode ser cansativa!...

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