11 de julho de 2017

thalles ou a inquietação no olhar




Inquieto, como um náufrago que se debate na indecisão das palavras, o olhar não se detém na promessa dos seus próprios segredos. Na trajectória de um silêncio estremunhado.

Dir-se-ia o reflexo quase translúcido de uma solidão que se prolonga pelos parâmetros da memória. Há uma espécie de carícia invisível que lhe desce pelo rosto - que lhe percorre o adolescente amanhecer do corpo. Há um brevíssimo sorriso que se desenha na tardia definição de cada gesto.

Cai-lhe nos ombros a discreta juventude dos sonhos que continua a coleccionar, ao mesmo tempo que vai enfrentando as sombras de um qualquer futuro ou, melhor, de um inadiável desafio na projecção dos relógios.

É, por assim dizer, o seu jeito de atravessar a turbulência dos dias. A melancólica melodia do crepúsculo.



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