5 de julho de 2017

reflexos do tempo




Deve haver uma forma de impedir que o tempo se instale na impaciência dos relógios. Não é possível que o silêncio se deixe surpreender pela indiferença e pela solidão.

Os passos, não obstante o olhar se estender até aos mais longínquos apeadeiros da memória, já não se revêem nas adolescentes sílabas do sossego. A beleza, por outro lado, já não se demora nas pupilas como se fora uma permanente explosão de luz.

A saudade, mãe, é agora uma sombra que se alarga sobre a madrugada. Sobre o cheiro da maresia. Os rostos já não se reconhecem nas viagens pelos labirintos da distância. Os sorrisos, esses, refugiaram-se na equívoca lentidão do vazio.



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