15 de julho de 2017

quase um lamento




Podia ser a tristeza a insinuar-se pela escassa claridade da manhã que principiava. Procurei os vestígios do silêncio ou, melhor, os sinais daquele sorriso que preenche as esquinas da memória. O teu sorriso, mãe!...

Ainda nuas, as árvores continuavam a resistir à chuva que não cessava de cair sobre a periferia dos sonhos. Os pássaros não encontravam nelas o aconchego das noites em que o verão se inclina sobre as casas. Os ramos, esses, permaneciam indefesos face à negligência dos olhos apressados.

Quando abri a janela, só a penumbra se alargou pela lentidão das palavras. A música era apenas o retrato da saudade. Quase um lamento.