4 de julho de 2017

quase peter pan




Não fora o olhar já marcado pelos contornos da melancolia, e jamais a distância haveria de comparar-se com a súbita inclinação das areias, quando o silêncio e a memória se percorrem com passos tristes. Quase trôpegos.

Os gestos tornaram-se estranhos. Impacientes. Como se as palavras se tivessem escondido no segredo das suas próprias metáforas. Os sorrisos, esses, deixaram de esvoaçar sobre as ruínas do desencanto.

O cansaço galopa sobre os sonhos. A ternura é apenas a recordação de um futuro inacabado e incompatível com o comércio da alegria. Só a solidão se aproxima do adolescente cheiro da saudade, antes da trajectória do vazio. Antes, mãe, do labirinto da tua ausência.