6 de julho de 2017

monólogo precário




É o momento de falar sobre os amigos!... Agora que vou partilhando o tempo com a breve melopeia do sossego, apercebo-me dos gestos que se foram esboroando de cada vez que a incerteza se tecia nos meus olhos.

O silêncio foi sempre a mais urgente das minhas necessidades. Recordo-o apenas pelos esboços a que não faltavam certas incompatibilidades, como se a penumbra se articulasse nas arestas de cada nova manhã. A amizade, por outro lado, quando lhe defini os contornos, transformou-se na minha própria utopia, porque as palavras nunca foram suficientes para que um sinal pudesse emergir da lentidão do vazio.

Às vezes não passava de um apelo furtivo - um trejeito ou, melhor, o gume de uma ilusão. Jamais os passos se aventuraram para além da paciência e hoje, mãe, quando me debruço sobre a saudade, só reconheço os sinais do teu sorriso. Único. Perfeito!...