17 de julho de 2017

do vazio e da distância




No segredo dos meus dias, desenham-se as linhas descuidadas de uma solidão que principia a definir o futuro. Inquietas, as palavras deixaram de ter o privilégio de descrever o sossego, para se perderem nas estrias da incompreensão.

Talvez seja exagerada esta angústia que se assemelha à indiferença com que o olhar se abstrai da alegria. Com que os gestos se refugiam na lentidão do vazio.

O cansaço, mãe, há muito que invadiu os lugares onde se demorava o teu sorriso. Hoje, sem perspectivas capazes de me fazer enfrentar o desafio da memória, apercebo-me de que o próprio silêncio se multiplica pelas margens mais distantes do delírio. Já não o encontro na súbita transparência da saudade.