13 de julho de 2017

da origem do sossego




Por vezes sento-me às portas do crepúsculo e fico ali onde os sonhos se habituaram a partilhar a alegria com as searas de agosto, quando o silêncio preenchia a inquietação das palavras.

Desde sempre, mãe - desde que os meus olhos passaram a descansar à sombra da melancolia - quis ter-te comigo lá onde o verão e as cigarras se assemelhavam à essência da memória. Eras tu que, ano após ano, preenchias aquelas tardes que se multiplicavam pelo cheiro dos eucaliptos.

Hoje, se me recordo desses dias longínquos, é ainda o teu sorriso que procuro. É a saudade que me persegue - a saudade que desenha os meus gestos no sossego do teu olhar.



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