16 de julho de 2017

da memória das varandas




Quando os sonhos se intrometem na definição do silêncio, é que os meus olhos se refugiam na exígua parcela onde as palavras se aproximam da solidão.

Pouco a pouco, mãe, vou-me apercebendo de que todas as coisas se tornam estranhas, como se nada mais existisse para além da minha própria memória. Como se cada passo que dou fosse a projecção do vazio que, subitamente, principiou a atravessar-se no meu caminho.

Já não reconheço os lugares onde, antes, costumava demorar-me. Os sinais deixaram de existir e a poeira abateu-se sobre as varandas.