3 de julho de 2017

da geometria e da distância




Sempre que os meus olhos, talvez perdidos na eternidade da minha própria solidão, percorriam o silêncio transparente do teu sorriso, tentava que as horas se multiplicassem pela lentidão dos espelhos, até que os meus sonhos se reflectissem numa aguarela.

...E as sombras nunca deixavam de cair sobre os campos onde se apagavam as minhas palavras.

Hoje, mãe, ainda que as madrugadas já não me conduzam aos flancos da alegria, deixo-me tentar pela lucidez com que costumavas enfrentar o rigor das ilusões. Hoje, basta-me partilhar contigo esta distância, para que os relógios se demorem na vagarosa geometria da saudade.