7 de julho de 2017

cordão umbilical




Os pais precisam aceitar que cada filho é uma vida distinta e autónoma, ao mesmo tempo gerada por eles e inacessível, à maneira de um segredo que protegem mas cujo conteúdo está destinado a escapar-lhes.

...

Há em toda a parte - na melancólica lucidez dos relógios e na brevíssima racionalidade dos calendários - uma quase inconsciência que se projecta na rugosidade dos caminhos. Uma promessa que se esgota na multiplicação das esquinas.

Talvez seja o reflexo da memória que se alarga pelo envelhecer da saudade ou, se calhar, o adolescente rumor do silêncio que, pouco a pouco, se vai confundindo com a mansidão dos sorrisos. Com o receio de um futuro em que os sonhos já não serão a herança das palavras que se habituaram a preservar.

Há, na própria bissectriz do olhar, uma inevitável ausência de esperança. Um permanente cansaço que se adivinha na translúcida vocação dos passos e na esdrúxula trajectória do vazio. No inútil silabar dos monólogos.



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