14 de julho de 2017

as lentes desfocadas




Sabemos pouco da relação completa entre aquilo que vemos do mundo e o próprio mundo. O nosso olhar é míope. As nossas lentes desfocadas. E no entanto, sentimos que "estranhos fios ligam o tempo a alguns outros grandes mistérios em aberto: a natureza da mente; o destino dos buracos negros; o funcionamento da vida...". Sentimos que algo de essencial continua a reportar à natureza do tempo - essa natureza de que ignoramos quase tudo.

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Já quase não nos reconhecemos no projectar do silêncio. Deixámos de ser o reflexo da memória no amanhecer de um sorriso, talvez porque permitimos que os sonhos se tornassem numa certa forma de novelo onde os relógios se confundem com a indiferença.

Trôpegos, os passos limitam-se a percorrer os círculos concêntricos que se alargam pela hipótese de um futuro à beira da melancolia. Tropeçam nas palavras inquietas que se esgotam na cadência dos monólogos.

A vida passou a ser uma fuga à transparência do orvalho e aos desafios que eram, por assim dizer, uma espécie de traço de união entre o tempo e a própria essência do vazio. A vida deixou de ser um ponto de interrogação capaz de iludir o obsessivo folhear da solidão.



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